Brasileiros Deportados dos EUA são Enviados para Países Africanos
Dois casos recentes envolvem brasileiros levados para Libéria e Guiné Equatorial sem vínculo prévio com os países

Brasileiros detidos pelo serviço de imigração dos Estados Unidos estão sendo enviados para países africanos que não têm vínculo prévio com eles, como parte de uma política de deportação para terceiros países. Dois casos recentes envolvem cidadãos brasileiros levados para a Libéria e a Guiné Equatorial.
PAOLA
Paola Santos, de 21 anos, viveu por cinco anos em Massachusetts e ficou presa por um ano e três meses antes de ser deportada. Segundo o relato, ela foi colocada em um voo de aproximadamente 16 horas, algemada, e descobriu que seria enviada à Libéria somente após chegar ao destino.
PIETRO
Pietro Graza de Lima, de 57 anos, morava na Flórida e foi deportado junto com cidadãos de Cuba e Camarões. Após parte do grupo se recusar a desembarcar na Libéria, o avião seguiu para a Guiné Equatorial. Pietro está hospedado em um hotel sob vigilância.
TERCEIRO PAÍS
Desde o início da atual política migratória do governo Trump, quase 25 mil pessoas foram deportadas para países diferentes daqueles onde nasceram.
Os Estados Unidos firmaram acordos com mais de 35 países para receber deportados e, segundo o material, pagaram milhões de dólares por esses acordos.
RESTRIÇÃO
A deportação para um terceiro país pode ocorrer quando a Justiça americana impede o retorno ao país de origem, inclusive em processos de asilo nos quais o imigrante alega perseguição. A advogada Savi Arvey, da Human Rights First, afirma que a estratégia também funciona como uma forma de pressão para estimular a saída voluntária de imigrantes dos Estados Unidos.
O Itamaraty busca prestar assistência consular aos brasileiros. O governo brasileiro tomou conhecimento da presença de Pietro na Guiné Equatorial em 25 de agosto, dias depois da deportação, e passou a buscar autorização para atendimento consular. Os governos da Libéria e da Guiné Equatorial não responderam às consultas sobre o destino dos brasileiros.
Na Guiné Equatorial, a legislação prevê que imigrantes sejam mantidos por no máximo 60 dias antes de serem enviados ao país de origem e permite pedidos de asilo. Até o momento, não há informações claras sobre os prazos ou próximos passos dos brasileiros. O ICE também não explicou por que destinos africanos foram escolhidos, apesar da existência de voos semanais de deportação para o Brasil.
Arte JT
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