TSE Não Encontra Fake News em Canal 'Exército do Lula', Contrariando Denúncia de Flávio
Relatório técnico não identificou as publicações questionadas; Cueva restabeleceu canal após suspensão determinada por Nunes Marques

A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta segunda-feira (12) que não encontrou, no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, as afirmações apontadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) como falsas.
O relatório técnico, elaborado a pedido do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, também destacou riscos relacionados à linguagem polarizadora e à divulgação de mensagens em massa perto do segundo turno das eleições de 2026.
A campanha de Flávio questionou publicações que circularam entre 10 e 28 de setembro e atribuíam ao candidato a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, envolvimento com milícia, redução de aposentadorias e benefícios sociais e cancelamento do reajuste do Bolsa Família. Segundo o documento, porém, não foram localizadas reproduções dessas afirmações nas publicações examinadas do canal entre 2 e 11 de outubro.
RESULTADO DA ANÁLISE
O relatório foi assinado por Frederico Alvim, chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. O documento afirma que não foram encontradas, no período analisado, publicações idênticas ou substancialmente equivalentes às alegações examinadas no processo.
A análise técnica também registrou preocupação com a possibilidade de disparos em massa próximos ao segundo turno. O documento destacou o uso de uma linguagem polarizadora no canal, que, segundo a avaliação da equipe, pode estabelecer uma lógica de confronto incompatível com a ideia de que as eleições sejam uma alternativa pacífica à disputa de interesses.
SUSPENSÃO DO CANAL
No domingo (11), Nunes Marques determinou a retirada do canal do ar até o segundo turno, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão foi contestada e posteriormente modificada pelo corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, que restabeleceu provisoriamente o grupo eleitoral.
ANÁLISE PELO PLENÁRIO
Cueva também solicitou que o caso seja levado com urgência ao plenário do TSE. Até esta segunda-feira (12), Nunes Marques ainda não havia marcado uma data para a análise colegiada. O relatório técnico integra a discussão sobre a suspensão e os riscos apontados no funcionamento do canal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou a decisão inicial de suspender o grupo. No domingo, antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula classificou a medida como “absurda” e afirmou que seus advogados pediriam explicações sobre os critérios adotados. O presidente também disse perceber decisões que considera tendenciosas contra sua candidatura.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou ser alvo de mentiras da campanha adversária. O episódio mantém o uso de canais digitais e a circulação de conteúdos políticos no centro da disputa eleitoral. O relatório não encontrou as afirmações específicas questionadas no período analisado, mas apontou riscos relacionados à linguagem e à disseminação em massa, enquanto a decisão definitiva sobre o caso ainda depende da avaliação do plenário do TSE.
Arte JT
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