Lula Defende Reduzir Maioridade Penal e Investigar Ministros do STF
Em entrevista à TV Globo, presidente também falou sobre tarifas dos EUA, segurança pública e assumiu responsabilidade por dificuldades do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu nesta quinta-feira (15) a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A declaração foi feita durante entrevista à TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, como parte da cobertura do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Lula também defendeu a investigação de denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mencionados em suspeitas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente afirmou que conversou três vezes com Edson Fachin, presidente da Corte, para tratar da necessidade de apuração dos casos.
MAIORIDADE PENAL
Durante a entrevista, Lula afirmou ser favorável à redução da maioridade penal em situações envolvendo crimes hediondos. A proposta mencionada pelo presidente prevê diminuir o limite de 18 para 16 anos nesses casos. Atualmente, a maioridade penal no Brasil é estabelecida aos 18 anos, conforme a legislação vigente.
INVESTIGAÇÃO NO STF
O presidente declarou que ministros do Supremo não devem ficar isentos de prestar esclarecimentos diante de denúncias. Lula defendeu que as suspeitas sejam apuradas e afirmou ter cobrado de Fachin providências para que os casos sejam examinados. As declarações não representam, por si só, comprovação de irregularidades por parte dos ministros citados.
TARIFAS E RELAÇÃO COM OS EUA
Ao comentar a relação com os Estados Unidos, Lula disse preferir uma solução negociada com o governo de Donald Trump para enfrentar as tarifas comerciais impostas ao Brasil. O presidente, no entanto, não descartou medidas de reciprocidade caso as negociações não resultem em um acordo.
Lula também rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Segundo ele, o governo brasileiro propôs uma parceria para combater o crime organizado. O presidente defendeu ainda a ampliação da atuação federal na segurança pública por meio da PEC da Segurança Pública.
Durante a conversa, Lula assumiu a responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas pelo governo e pela rejeição à gestão. O presidente afirmou que não pretende transferir a culpa a outras pessoas, em uma declaração sobre a condução da administração federal e os desafios políticos do momento.
A entrevista integra a cobertura eleitoral da TV Globo para o segundo turno de 2026, que também prevê conversa com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e debate entre os dois candidatos. Os temas abordados por Lula incluíram segurança pública, relação internacional, funcionamento das instituições e avaliação de seu próprio governo.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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