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Banco Master Não Registrou Repasses para Dark Horse; mas Dinheiro Foi Entregue

há 3 horas
2 min de leitura

Produção “Dark Horse” recebeu R$ 62 milhões atribuídos a Daniel Vorcaro, mas a origem dos recursos segue sem esclarecimento e é investigada pela PF

 


O liquidante da massa falida do Banco Master, Eduardo Bianchini, informou à Câmara dos Deputados que não foram encontrados registros contábeis ou contratuais de operações da instituição para financiar ou patrocinar “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Apesar da ausência de documentação nos acervos consultados, a produção recebeu R$ 62 milhões atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a origem dos recursos continua sob investigação.

 

A informação foi apresentada em resposta a um pedido do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo Bianchini, a consulta aos documentos disponíveis não identificou operações destinadas ao filme, realizadas diretamente pelas instituições em liquidação ou por meio de terceiros, dentro dos limites das informações examinadas.

 

AUSÊNCIA DE REGISTROS

O liquidante também afirmou que não foram localizados documentos sobre possíveis operações relacionadas à produção envolvendo o Havengate Development Fund LP. A falta de registros não esclarece, por si só, de onde veio o dinheiro utilizado no projeto nem como os pagamentos foram estruturados.

 

A assessoria de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que negocia o patrocínio com Vorcaro, afirmou que o senador não participou da efetivação dos pagamentos nem foi informado sobre a forma como as transferências foram realizadas. Até o momento, segundo as informações apresentadas, não foi divulgado um contrato que formalize o acordo mencionado pelo parlamentar.

 

CAMINHO DO DINHEIRO

A Polícia Federal identificou que os pagamentos relacionados ao filme foram realizados pela Entre Investimentos, empresa comandada por Antonio Carlos Freixo Junior, que firmou acordo de delação premiada. A origem dos valores repassados à empresa para viabilizar os desembolsos, porém, ainda não foi esclarecida.

 

RELATO DO DELATOR

Em depoimento, Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, afirmou que recebeu de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, a solicitação para enviar recursos aos Estados Unidos. Segundo ele, a operação foi apresentada como investimento imobiliário, ligado a empreendimentos no Texas e na Flórida, e não como financiamento de uma produção cinematográfica.

 

O delator declarou à Polícia Federal que não sabia que o dinheiro seria destinado ao filme e afirmou que não teria aceitado participar caso conhecesse essa finalidade, por considerar elevado o risco reputacional para suas empresas. O relato integra a investigação sobre o caminho percorrido pelos recursos.

 

Na sexta-feira (16), a Polícia Federal solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que apura o financiamento de “Dark Horse”. A investigação busca esclarecer a origem dos valores, a estrutura das transferências e as circunstâncias dos pagamentos realizados no exterior.

 

 

Arte JT

 

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