Bolsonaro Diz à Polícia que Não Podia Ficar Desarmado: “Três Mulheres em Casa”
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Ex-presidente admitiu ser dono da pistola apreendida e Moraes pediu análise da PGR sobre possível impacto na prisão domiciliar

A Polícia Civil do Distrito Federal ouviu nesta terça-feira (23) o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a apreensão de uma pistola Glock 9 mm registrada em seu nome. Durante o depoimento, Bolsonaro confirmou ser o proprietário da arma e justificou sua manutenção na residência onde cumpre prisão domiciliar.
Segundo investigadores, Bolsonaro afirmou que “tinha três mulheres em casa” e que “não podia ficar desarmado”. A arma acabou sendo localizada dentro do carro de um militar responsável por sua segurança, durante uma blitz realizada na semana passada.
FRASE DO DEPOIMENTO
As declarações do ex-presidente passaram a integrar oficialmente a investigação. O advogado Paulo Cunha Bueno acompanhou o depoimento e sustenta que o episódio não deve interferir nas medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A pistola Glock 9 mm estava com um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), atualmente vinculado à Casa Civil. De acordo com a defesa, Bolsonaro havia solicitado apenas que o agente verificasse o funcionamento do armamento, negando ter determinado sua retirada da residência para conserto.
PEDIDO DE MORAES
Nesta quarta-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República avalie se a apreensão da arma pode influenciar na manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente. O magistrado citou a Lei de Execuções Penais sobre a posse indevida de instrumentos capazes de causar danos físicos.
POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS
Investigadores apontam duas hipóteses jurídicas. A primeira seria uma infração administrativa por transporte da arma sem a documentação exigida. A segunda envolve eventual violação do Estatuto do Desarmamento, cuja pena pode variar de três a seis anos de prisão, além de multa.
O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, esteve no condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e colheu o depoimento em cerca de cinco minutos. O caso segue sendo acompanhado pelo STF.
A investigação prossegue para esclarecer se houve irregularidades na posse e no transporte da arma. O parecer da Procuradoria-Geral da República poderá influenciar futuras decisões do Supremo sobre as condições impostas ao ex-presidente.
Arte JT
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