Mortes no Trânsito de São Paulo Aumentam, e Motos Concentram 48% das Vítimas
Capital paulista registrou 782 mortes entre janeiro e setembro de 2026; especialistas apontam imprudência e falhas na fiscalização

A cidade de São Paulo registrou 782 mortes no trânsito entre janeiro e setembro de 2026, contra 770 no mesmo período de 2025. Os números representam aumento de 1,5% nos óbitos, com motociclistas entre as principais vítimas. Segundo dados do Infosiga, sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), as pessoas que estavam em motocicletas responderam por 48% das mortes registradas neste ano.
Mais de 370 motociclistas morreram no período, enquanto quase 300 pessoas perderam a vida em atropelamentos. O cenário preocupa especialistas em mobilidade urbana, que apontam uma combinação de fatores para explicar a alta, incluindo crescimento da frota, comportamento dos condutores, condições das vias e necessidade de fiscalização mais efetiva.
MOTOCICLISTAS VULNERÁVEIS
Desde 2017, as mortes de motociclistas na capital paulista cresceram 74%. A ampliação da frota ajuda a contextualizar o avanço: em 2026, a cidade contava com cerca de 1,17 milhão de motocicletas em circulação. Especialistas destacam, porém, que o número de veículos não explica sozinho o aumento dos acidentes fatais.
IMPRUDÊNCIA NAS RUAS
Infrações como avançar o sinal vermelho e circular em corredores de ônibus ou ciclovias elevam os riscos para motociclistas e outros usuários das vias. A especialista em mobilidade urbana Ana Carolina Nunes afirma que a velocidade elevada e a falta de proteção física tornam os condutores de motos particularmente vulneráveis em colisões.
FISCALIZAÇÃO INSUFICIENTE
A Faixa Azul, implantada para organizar a circulação de motocicletas, é apontada como uma iniciativa que precisa ser acompanhada por fiscalização. Nunes avalia que medidas de infraestrutura não produzem todo o efeito esperado quando não há controle adequado das infrações e dos limites de velocidade. O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, também relaciona a imprudência à percepção de impunidade.
A quantidade de radares é outro ponto levantado pelos especialistas. São Paulo possui 879 equipamentos de fiscalização, enquanto o Rio de Janeiro conta com 1.042, apesar de a capital paulista ter uma extensão maior de ruas e avenidas. Quintella defende que os aparelhos sejam capazes de identificar infrações cometidas por motocicletas para contribuir efetivamente com a redução dos riscos.
A Prefeitura de São Paulo afirma que desenvolve campanhas permanentes de conscientização e ações para ampliar a segurança viária. Sobre a Faixa Azul, a administração municipal informou que a iniciativa reduziu em 26% a gravidade dos acidentes envolvendo motocicletas. A prefeitura também declarou que uma equipe técnica avalia a necessidade de instalação de novos radares.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que realiza diariamente operações de fiscalização com equipes nas ruas. Diante do aumento das mortes, especialistas defendem a combinação de infraestrutura adequada, controle de velocidade e cumprimento das regras de circulação. Os dados reforçam o desafio de reduzir os acidentes fatais e proteger motociclistas, pedestres e demais usuários do trânsito na capital paulista.
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