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Dark Horse: Investigação Aponta Repasses de Dinheiro Público a ONG

há 2 horas
3 min de leitura

Decisão de Flávio Dino cita transferências do ICB para empresas que depois enviaram milhões à ANC, ligada a Karina Gama


 

A investigação sobre o filme Dark Horse identificou um fluxo financeiro envolvendo recursos recebidos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), empresas terceirizadas e a Associação Nacional de Cultura (ANC), ligada à empresária Karina Ferreira da Gama. Os dados aparecem em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas de busca e apreensão.

 

REPASSES MILIONÁRIOS

Segundo os documentos analisados pela Polícia Federal, a Ultra IP recebeu R$ 8,5 milhões do ICB e transferiu R$ 1,3 milhão à ANC. A Fastfuture recebeu R$ 4,3 milhões em seis TEDs e posteriormente enviou R$ 314 mil à entidade. Outro relatório aponta R$ 5,1 milhões recebidos pela mesma empresa e R$ 603 mil destinados à ANC.

 

A Complexys também aparece nas movimentações. A empresa recebeu R$ 5 milhões do ICB entre outubro de 2024 e outubro de 2025 e, posteriormente, pagou R$ 2,6 milhões à ANC. Entre outubro e dezembro de 2025, recebeu mais R$ 3 milhões e repassou R$ 1,3 milhão à associação.

 

RECURSOS DE PARLAMENTARES

Os parlamentares federais identificados são:

- Mario Frias (PL-SP): Destinou R$ 645,4 mil diretamente à produtora e R$ 700 mil via emendas para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade de Karina Gama.  

- Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF): Destinaram emendas para a Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina.  Pollon indicou R$ 1 milhão e Kicis, R$ 150 mil.

 

Além dos deputados federais, deputados estaduais de São Paulo destinaram cerca de R$ 700 mil a empresas e entidades ligadas à produtora entre 2023 e 2026, incluindo verbas indicadas por Valéria Bolsonaro e Luiz Fernando.  Outros nomes, como Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, também foram apontados por destinarem valores à produção através de mecanismos como as "emendas Pix"

 

EMPRESAS ENVOLVIDAS

A Fastfuture pertence à esposa de André Feldman, sobrinho do ex-deputado Walter Feldman e ligado à Complexys Apoio Administrativo. A Complexys também recebeu R$ 2 milhões do ICB por uma nota posteriormente cancelada. Após o encerramento da produção de Dark Horse, os repasses descritos cessaram, embora a empresa ainda tenha recebido R$ 1,8 milhão do instituto até abril deste ano.

 

CONTA DA ANC

Flávio Dino afirmou que a PF localizou apenas uma conta bancária da associação, que recebeu R$ 200 mil no período analisado. Para o ministro, o valor pode indicar a existência de outra conta não informada. Os recursos identificados foram utilizados para pagamentos a empresas que atuavam na cadeia de eventos e produção cultural.

 

A produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, sustenta que o filme foi financiado exclusivamente com recursos privados. Uma perícia contratada pela empresa afirmou que a produção não recebeu dinheiro público, mas, segundo os documentos citados na investigação, o relatório não detalha a origem de todos os valores utilizados.

 

FLUXO PARA A PRODUTORA

O relatório da PF também aponta uma transferência de R$ 750 mil da NTT Brasil Ltda., administrada pelo empresário Heric Fabiano Dias, para a Go Up Entertainment. Antes disso, o ICB havia transferido R$ 700 mil para duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

 

Outro ponto sob análise é a movimentação financeira da Go Up. Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a produtora registrou fluxo bruto de R$ 19,03 milhões, com R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos.

 

No mesmo contexto, aparece um repasse de R$ 1 milhão feito pelo publicitário Marcello de Oliveira Lopes à produtora. A investigação também registrou a compra de um SUV por R$ 102.190, paga em dinheiro pela empresária Karina Gama.

 

 

Arte JT

 

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