Com Diplomatas, Flávio Ataca Urnas e Faz Acusações já Desmentidas pelo TSE
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Senador repetiu alegações sobre empresa venezuelana em evento com representantes de quase 50 países em São Paulo
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, voltou a atacar as urnas eletrônicas brasileiras com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em reunião com diplomatas de quase 50 países e organizações internacionais nesta terça-feira (21), em São Paulo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que as urnas brasileiras têm a mesma origem das da empresa venezuelana Smartmatic e citou um suposto relatório da CIA sobre fraudes eleitorais.
"Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa", disse Flávio aos representantes estrangeiros no evento "Debatendo o Brasil", promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report. Ele também mencionou "uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando documentação da CIA".
NOTA DO TSE
O TSE já havia desmentido a alegação em nota publicada em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026. O tribunal esclarece que a Smartmatic "não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos". Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.
A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras. A Smartmatic celebrou contratos com o TSE somente para prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para fabricação de urnas em 2020, mas perdeu para a Positivo.
SISTEMA SEGURO
O TSE reforça que o sistema eletrônico de votação utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados, sem contato com redes públicas como a internet. Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de manipulação, fraude na totalização de votos ou quebra do sigilo do voto. Em 2022, o tribunal também desmentiu que a Smartmatic tivesse acesso ao programa que roda nas urnas.
RECUO DA CAMPANHA
Após a repercussão negativa, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro soltou nota assinada pelo senador, pelo coordenador Rogério Marinho e pela jurídica Maria Claudia Bucchianeri. O texto afirma que "não é verdade que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil" e que sua fala foi "descontextualizada". Segundo o documento, a intenção seria "contribuir para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições".
A nota reforça "integral confiança no sistema eleitoral brasileiro" e defende que missões de observação internacional "devem ser fortemente estimuladas". A mudança de tom contrasta com as declarações proferidas diante dos diplomatas e expõe a estratégia de recuo da campanha diante de acusações sem fundamento que ecoam o discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja tentativa de desacreditar o sistema eleitoral foi um dos fatores que marcaram seu isolamento político e inelegibilidade.
O episódio reforça a postura de Flávio Bolsonaro de retomar narrativas sem provas sobre as urnas eletrônicas, mesmo após decisões do TSE e de especialistas reafirmarem a segurança do processo eleitoral brasileiro. A estratégia de questionar o sistema eleitoral diante de representantes estrangeiros expõe a fragilidade da defesa e mantém o tema em evidência em um momento de crescente polarização política no país.
Vídeo: Reprodução
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