Dólar Dispara 12% e Chega a R$ 5,60 Após Vitória de Lula
Mercados reagem ao resultado eleitoral; ações brasileiras negociadas no exterior caem e investidores monitoram cenário fiscal

O dólar registra forte alta nesta segunda-feira (26), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Por volta das 9h40, a moeda americana avançava 12,25%, cotada a R$ 5,6048. A sessão é marcada pela reavaliação das expectativas dos investidores para o câmbio, os juros e as contas públicas.
REAÇÃO DO MERCADO
O resultado eleitoral surpreendeu parte dos agentes financeiros, já que pesquisas divulgadas nas semanas anteriores indicavam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL). Com a reeleição de Lula, investidores passaram a avaliar os possíveis impactos do novo mandato sobre a política econômica e a trajetória das contas públicas.
Na sexta-feira (23), antes da divulgação do resultado eleitoral, o dólar havia recuado 0,90%, encerrando cotado a R$ 4,9930. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 0,47%, aos 205.083 pontos. Nesta segunda, as negociações do índice estavam previstas para começar às 10h.
AÇÕES NO EXTERIOR
Os papéis brasileiros negociados fora do país também registravam perdas. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, caía 26,16% antes da abertura dos mercados americanos, segundo os dados divulgados na manhã desta segunda-feira. Na véspera, o fundo já havia recuado mais de 19%.
FOCO NAS CONTAS PÚBLICAS
Entre as principais preocupações dos investidores estão a evolução da dívida pública, o controle das despesas e o cumprimento das metas fiscais. Analistas avaliam que a condução da política econômica no quarto mandato de Lula será determinante para a confiança do mercado. Medidas de revisão de gastos também estão entre os fatores acompanhados.
A agenda econômica inclui a divulgação do Boletim Focus, que reúne projeções do mercado para indicadores como inflação, crescimento econômico e juros. Como as estimativas foram coletadas antes da eleição, o documento ainda não refletia a reação dos investidores ao resultado das urnas.
No cenário internacional, os preços do petróleo e as decisões de política monetária de bancos centrais também permanecem no radar. A expectativa se concentra especialmente na decisão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira.
A possibilidade de questionamentos judiciais sobre o resultado eleitoral também foi apontada por profissionais do mercado como um fator de incerteza. Flávio Bolsonaro afirmou que pretende pedir a anulação do pleito, enquanto os investidores acompanham os desdobramentos políticos e seus possíveis efeitos sobre os ativos financeiros.
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