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Empresa de Jato Usado na Fuga de Flávio Bolsonaro é Ligada à Corrupção na Argentina

há 4 horas
2 min de leitura

A Baires Fly teria emitido notas fiscais ligadas a empresas suspeitas de participar de desvios de recursos públicos; rota do avião até os EUA também levantou questionamentos



O avião particular que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e familiares aos Estados Unidos pertence à empresa Baires Fly, apontada em relatos da imprensa argentina como ligada a uma investigação sobre suspeitas de corrupção envolvendo recursos da Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante o governo de Javier Milei. As informações disponíveis não indicam, por si só, que Flávio tenha participado do suposto esquema.


Segundo o jornal argentino La Nación, o empresário Sergio Daniel Mastropietro teria usado a empresa para emitir notas fiscais destinadas a companhias suspeitas de serem beneficiadas por compras direcionadas. Os documentos, emitidos em setembro de 2025, somariam centenas de milhões de pesos, de acordo com o relato.


NOTAS FISCAIS SOB SUSPEITA

As notas teriam a mesma descrição: “Compra de quilômetros nacionais para utilização em aeronaves da empresa”. Para o Ministério Público argentino, a estrutura poderia ter sido utilizada para dar aparência legal a recursos de origem irregular. O dinheiro investigado teria sido direcionado a um grupo restrito de fornecedores de medicamentos e outros insumos de saúde.


TRAJETO DO AVIÃO

Dados atribuídos à plataforma FlightRadar indicam que o jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, partiu do Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na Argentina, às 23h25 de terça-feira (27). A aeronave teria sobrevoado Paraguai, Bolívia e Peru, feito uma parada em Guayaquil, no Equador, e seguido para os Estados Unidos.


POSSÍVEL INTERCEPTAÇÃO

O trajeto chamou atenção porque o avião não teria cruzado o espaço aéreo brasileiro. A legislação brasileira prevê procedimentos de interceptação para aeronaves consideradas suspeitas que sobrevoem o território nacional, incluindo determinações para pouso em determinadas circunstâncias. No entanto, os dados apresentados não comprovam que o desvio tenha sido realizado especificamente para evitar uma interceptação da Força Aérea Brasileira.


Conforme o registro citado, o jato pousou nos Estados Unidos às 10h25 de quarta-feira (28), pelo horário de Brasília. A rota informada passou por diferentes países sul-americanos antes da chegada ao destino final.


A investigação sobre a Baires Fly e o percurso da aeronave são questões distintas. A existência de suspeitas relacionadas à empresa não comprova envolvimento de todos os seus clientes em irregularidades, assim como o trajeto internacional, isoladamente, não confirma a intenção de evitar fiscalização brasileira.




Fotos: Reprodução


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