CPI ouve os cientistas Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch
Comissão convidou especialistas para esclarecer sobre a melhor forma de enfrentamento à pandemia de Covid-19; internautas podem mandar perguntas
A CPI da Pandemia ouve nesta na sexta-feira (11) os cientistas Natalia Pasternak e Claudio Maierovitch. A sessão foi aberta por volta das 9h45 e os internautas podem enviar perguntas e comentários para a reunião por meio do portal e-Cidadania.

A participação dos cientistas na CPI atende a requerimentos dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Humberto Costa (PT-PE) e Marcos do Val (Podemos-ES) – este último, apenas no caso de Pasternak.
Os parlamentares citam a trajetória pública e acadêmica nacional e internacional dos profissionais nas justificativas, afirmando que os cientistas têm condições de esclarecer o país sobre a melhor forma de enfrentamento à pandemia de Covid-19.
Resumo da CPI da Pandemia:
Renan perguntou sobre a eficácia de outros medicamentos, além da cloroquina, para o enfrentamento da Covid-19 e citou como exemplos ivermectina, zinco e annita.
"Esses medicamentos não servem para Covid-19 de acordo com as evidências acumuladas até agora", disse a microbiologista Natalia Pasternak.
"As novas evidências precisam ser robustas. Se elas aparecerem, a comunidade científica muda de ideia. Mas as evidências acumuladas até agora, de forma realmente robusta, mostram que esses medicamentos não são indicados para Covid-19."
Não é tradicional que tenhamos redirecionamento de fármacos para doenças virais porque é realmente muito difícil obter antivirais que funcionem bem. Então, não é nenhuma surpresa que esses medicamentos não funcionem (...) Eles não reduzem carga viral, não reduzem inflamação, não reduzem tempo de hospitalização e não aumentam sobrevida.”
Já Claudio Maierovitch entregou ao senadores um texto de um colega, que foi consultor na OMS, sobre reaproveitamento de fármacos.
"Temos uma lista grande de fármacos, vários deles em fase experimental. Muitos deles já descartados. A maior parte em que se tentou o reposicionamento (...) ainda mostram eficácia muito abaixo do desejado, mas pode ser que surja alguma coisa."
Maierovitch relembrou também um episódio recente sobre a autorização de uso da Fosfoetanolamina, chamada de "pílula do câncer".
"Foi aprovado um projeto de lei de autoria do então deputado Jair Bolsonaro propondo a obrigação do governo em fornecer a fosfoetanolamina para [tratamento de] câncer. Não era sequer um medicamento, uma substância produzida em um laboratório da USP", disse.
"E, depois, se provou realmente não ser um medicamento e a lei foi derrubata pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trago esse exemplo porque não houve institucionalidade nas decisões baseadas em ciência."
Em sua primeria pergunta aos especialistas, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) perguntou qual seria a melhor maneira de combater uma doença viral, como o novo coronavírus.
Natália Pasternak foi direta: “Com vacina. Doenças virais são tradicionalmente, historicamente, combatidas com vacinas", afirmou.
"Remédios antivirais são difíceis de obter, não são fáceis como antibióticos para infecções bacterianas, que temos uma gama enorme para escolher. Antivirais são difíceis de obter porque o vírus é um parasita intracelular e se aproveita do nosso mecanismo celular para se reproduzir. Temos alguns antivirais muito específicos no mercado, geralmente para uma doença – um que só serve para gripe, um que só serve para herpes", detalhou.
"Temos vacina para sarampo, rubéola, caxumba, para febre amarela. Varíola, única doença erradicada até hoje, é causada por vírus. Mas nunca controlamos ou erradicamos uma doença com imunidade de rebanho. Controlamos com vacinas. Tivemos varíola por milhares de anos e ela não sumiu. Só sumiu com o processo de vacinação organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que durou 10 anos", completou
Já Claudio Maierovitch apontou que nenhum antiviral que funciona foi encontrado por acaso.
"Todos eles foram estudados com muito cuidados, com detalhes moleculares, microbiológicos, que permitem conhecer o mecanismo de replicação do vírus, como ele se relaciona com as células humanas, para desenhar moléculas capazes de interferir em cada um desses processos", detalhou o especialista.
"Não temos no nosso arsenal nenhum que foi encontrado por acaso, que já servia para outra coisa e foi reaproveitado para combater vírus.”
Por Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo, e Gustavo Zucchi, da CNN, em Brasília
fonte: CNN




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