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Inadimplência na Argentina Bate Recorde e Expõe Endividamento das Famílias

4 de set.
2 min de leitura

Taxa de calote em empréstimos familiares chegou a 12,8% em junho, segundo dados citados no levantamento


 

A inadimplência das famílias na Argentina atingiu em junho o maior nível em 16 anos, em meio à perda do poder de compra, ao corte de subsídios e ao avanço do endividamento. Segundo os dados apresentados no levantamento, a taxa de calote em empréstimos familiares passou de 2,8%, no fim de 2023, para 12,8% em junho deste ano.

 

O avanço alcança quase seis milhões de pessoas, cerca de um terço dos tomadores de crédito do país, com atrasos superiores a 90 dias. Mais de 20 milhões de argentinos estão endividados, enquanto a redução da renda e a dificuldade de manter pagamentos pressionam famílias que dependem de bancos, carteiras digitais e outras formas de crédito.

 

INADIMPLÊNCIA EM ALTA

A deterioração ocorre após mudanças econômicas adotadas pelo governo de Javier Milei. Desde o início da atual gestão, o país perdeu cerca de 241 mil postos de trabalho assalariados registrados no setor privado, uma redução estimada em 4%, segundo os números apresentados no levantamento.

 

O cenário também aparece no consumo e no orçamento doméstico. Com rendimentos defasados e custo de vida elevado, famílias passaram a recorrer com maior frequência a empréstimos para despesas correntes, aumentando a exposição a juros elevados e dificultando a recuperação financeira.

 

CRÉDITO DIGITAL

Fintechs e plataformas digitais ganharam espaço entre trabalhadores que precisam de dinheiro rápido ou não conseguem acesso ao sistema bancário tradicional. O volume de operações dessas empresas cresceu 20 vezes nos últimos anos e chegou a 10 milhões de contratos individuais.

 

As taxas cobradas por alguns desses serviços são elevadas. Aplicativos de entrega e carteiras virtuais oferecem linhas com juros anuais entre 131% e 170%, segundo os dados apresentados. Motoristas, entregadores e jovens estão entre os grupos que passaram a utilizar esse tipo de crédito para enfrentar a falta de renda.

 

PRESSÃO SOCIAL

A escalada da inadimplência também provocou manifestações no centro de Buenos Aires. Grupos de devedores e sindicatos passaram a cobrar medidas de alívio financeiro e renegociação das dívidas, enquanto entidades bancárias defendem mudanças nas regras de classificação de risco para evitar restrições maiores ao crédito.

 

Apesar das pressões, a Casa Rosada tem rejeitado intervenções no mercado e classifica o aumento da inadimplência como parte de um ajuste temporário. O governo sustenta que a relação entre credores e devedores deve permanecer dentro da dinâmica de livre mercado, enquanto o endividamento segue como um dos principais efeitos sociais da crise econômica.

 

 

Foto: Reprodução

 

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