Investigação Cita Elo com PCC e Notas Frias de ONG Ligada à Produtora de 'Dark Horse'
- há 6 dias
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Empresário investigado por suposta ligação com facção assinou contrato de R$ 12 milhões com instituto comandado por Karina da Gama, que também foi notificado a devolver recursos públicos

A investigação sobre contratos para instalação de wi-fi gratuito em comunidades da capital paulista ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público de São Paulo apontar que o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, ex-sócio da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., é investigado por suposta ligação com o PCC.
Paralelamente, a Prefeitura de São Paulo notificou o Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado pela empresária Karina Ferreira da Gama, para devolver R$ 906 mil e apresentar esclarecimentos sobre cerca de R$ 12 milhões em notas fiscais consideradas inconsistentes.
Segundo o MP e a Polícia Civil, Alex Leandro Bispo dos Santos assinou um contrato de aproximadamente R$ 12 milhões com o Instituto Conhecer Brasil. O empresário também responde a diversos processos judiciais e está preso preventivamente, acusado de feminicídio. A defesa nega as acusações no processo criminal, enquanto as investigações sobre sua suposta ligação com a organização criminosa seguem em andamento.
CONTRATO MILIONÁRIO
A empresa Favela Conectada foi uma das contratadas pelo Instituto Conhecer Brasil para atuar na implantação de pontos de internet gratuita em bairros periféricos da capital paulista. O ICB é presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também atua como produtora do filme Dark Horse, produção baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Civil investiga possíveis irregularidades na execução do contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia notificou oficialmente o Instituto Conhecer Brasil para apresentar justificativas técnicas sobre notas fiscais que somam quase R$ 13 milhões. No mesmo procedimento, a administração municipal determinou a devolução de R$ 906 mil, referentes a notas fiscais canceladas ou consideradas incompatíveis com a prestação de contas apresentada pela entidade.
NOTAS SOB ANÁLISE
O relatório de fiscalização também aponta que a Favela Conectada apresentou duas notas fiscais que, juntas, ultrapassam R$ 1,2 milhão, mas sem detalhamento suficiente sobre os serviços executados. Além dela, outras empresas contratadas pelo ICB tiveram aproximadamente R$ 11 milhões em despesas incluídas no grupo de documentos considerados inconsistentes pela fiscalização.
EXIGÊNCIAS DA PREFEITURA
Em um dos trechos da notificação, a Secretaria Municipal afirma que "as notas fiscais descritas não especificam as áreas geográficas atendidas e os serviços praticados", determinando que a organização apresente relatórios de medição, mapas de ativação e outros documentos técnicos capazes de comprovar a execução dos serviços contratados.
Caso o Instituto Conhecer Brasil não apresente a documentação exigida ou não consiga comprovar a regularidade das despesas, os valores poderão ser definitivamente rejeitados, com a consequente obrigação de ressarcimento aos cofres públicos. O procedimento integra a fiscalização administrativa sobre a execução do contrato.
As investigações envolvendo os contratos de wi-fi, as inconsistências na prestação de contas e a suposta ligação de Alex Leandro Bispo dos Santos com o PCC seguem em andamento. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre os fatos apurados, e os envolvidos poderão apresentar esclarecimentos e exercer o direito à ampla defesa durante o curso das investigações.
Arte JT
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