Prefeitura de SP Paga R$ 114 Milhões à ONG Investigada por Contrato de Wi-Fi
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Município afirma que identificou inconsistências em prestações de contas e concedeu prazo para apresentação de esclarecimentos pela entidade

A Prefeitura de São Paulo informou ter realizado pagamentos que somam R$ 114 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) em contrato destinado à instalação e manutenção do programa Wi-Fi Livre SP. A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, também ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O contrato e sua execução são alvo de investigação da Polícia Civil.
CONTRATO INVESTIGADO
Segundo informações divulgadas pela administração municipal, os pagamentos contemplam R$ 68 milhões destinados à implantação e manutenção dos pontos de internet entre julho de 2024 e junho de 2025, além de R$ 45 milhões referentes à manutenção realizada entre julho de 2025 e maio de 2026. A Prefeitura informou ainda que aproximadamente R$ 2 milhões foram devolvidos pela entidade em razão de fiscalizações, ajustes e outras ocorrências administrativas.
Durante auditorias internas, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia apontou inconsistências em documentos apresentados na prestação de contas do primeiro semestre de 2025. Entre os apontamentos estão notas fiscais canceladas após a emissão, ausência de detalhamento sobre serviços executados e despesas consideradas insuficientemente comprovadas.
QUESTIONAMENTOS FISCAIS
A Prefeitura informou que notificou oficialmente o Instituto Conhecer Brasil para apresentar justificativas e documentação complementar. Entre os itens analisados estão cerca de R$ 13 milhões em despesas consideradas inconsistentes, incluindo pagamentos a empresas investigadas e notas fiscais posteriormente canceladas. Caso as explicações não sejam aceitas, poderá ser determinada a restituição dos valores apontados.
Outro ponto analisado pela administração municipal envolve a meta inicial de implantação de cinco mil pontos de Wi-Fi. Segundo a Prefeitura, o contrato foi readequado para aproximadamente 3,2 mil pontos, afirmando que não houve pagamento por equipamentos que deixaram de ser instalados. Também informou que equipamentos danificados passam por remanejamento permanente, alterando periodicamente a localização dos pontos disponíveis.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
A Polícia Civil investiga se parte dos recursos públicos administrados pelo ICB foi desviada para financiar a produção do filme Dark Horse. Até o momento, não há decisão judicial concluindo pela existência de irregularidades ou responsabilizando os investigados. As apurações permanecem em andamento.
O Instituto Conhecer Brasil foi intimado a apresentar defesa administrativa no prazo estabelecido pela Prefeitura. Paralelamente, os órgãos de investigação continuam analisando contratos, documentos fiscais e movimentações financeiras relacionadas ao caso, enquanto os desdobramentos seguem sendo acompanhados pelas autoridades competentes.
Arte JT
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