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Flávio Bolsonaro Promete Submeter Governo aos EUA em Carta a Rubio

  • há 2 minutos
  • 3 min de leitura

Senador ofereceu equipe de transição à Casa Branca antes da eleição e recebeu resposta que mantém tarifas contra o Brasil


 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, enviou no início de junho uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual se comprometeu a colocar sua equipe de transição "à disposição" do governo Donald Trump caso seja eleito em outubro. A correspondência, revelada nesta semana, gerou forte repercussão política e foi classificada por críticos como um gesto de submissão sem precedentes na história da diplomacia brasileira.

 

O documento foi enviado após uma série de reuniões realizadas por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, no fim de maio, quando o senador buscava projetar sua imagem internacional e fortalecer sua pré-candidatura presidencial. No entanto, a estratégia acabou produzindo o efeito oposto ao esperado, transformando-se em um dos maiores constrangimentos políticos da família Bolsonaro nos últimos meses.

 

OFERTA INÉDITA

No último parágrafo da carta, Flávio Bolsonaro escreveu: "Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos". A frase foi interpretada como uma oferta de subordinação política e econômica a Washington.

 

A iniciativa foi recebida com forte reação de integrantes do governo Lula, parlamentares da esquerda e setores da diplomacia brasileira. Críticos argumentam que a disposição de compartilhar estruturas de transição governamental com uma potência estrangeira antes mesmo da realização das eleições representa uma quebra de protocolo institucional e uma demonstração de subordinação aos interesses de Washington, incompatível com a tradição de autonomia da política externa brasileira.

 

RESPOSTA CONSTRANGEDORA

A resposta de Marco Rubio ampliou o constrangimento político para Flávio Bolsonaro. Embora tenha agradecido o apoio brasileiro à classificação das facções criminosas como organizações terroristas, o secretário reafirmou integralmente a posição da administração Trump favorável às tarifas contra o Brasil. "O embaixador Jamieson Greer deixou claro que nós permanecemos com diferenças substanciais", escreveu Rubio, citando divergências sobre comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

 

ESTRATÉGIA FRACASSADA

Apesar de elogiar o "otimismo eleitoral" do senador, Rubio deixou claro que os Estados Unidos trabalharão com "os líderes escolhidos pelo povo brasileiro", independentemente do resultado eleitoral. Na prática, a carta que pretendia afastar Flávio Bolsonaro da responsabilidade política pelo tarifaço acabou reforçando o fato. Dias depois da visita, o governo americano anunciou a conclusão das investigações comerciais que propõem novas sanções contra o Brasil, e Trump publicou uma fotografia ao lado de Flávio no Salão Oval.

 

Para críticos do parlamentar, o episódio revelou uma contradição política: ao mesmo tempo em que buscava demonstrar proximidade com a Casa Branca, Flávio passou a ser cobrado por não conseguir impedir medidas que podem prejudicar exportadores e setores produtivos brasileiros. Washington não pretende flexibilizar sua agenda comercial em troca de alinhamentos políticos ou promessas de cooperação futura.

 

O caso coloca em xeque a capacidade de Flávio Bolsonaro de articular uma política externa autônoma e reforça a percepção de que a família tentou utilizar sua proximidade com Donald Trump para influenciar disputas internas brasileiras sem obter qualquer resultado concreto para impedir as sanções econômicas contra o país.

 

 

Foto: Reprodução / Redes Sociais

 

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