Moraes Pressiona Jair e Flávio com Dilema Entre Prisão e Inelegibilidade
STF deu prazo para esclarecimentos sobre uso de imagem do ex-presidente em convenção do PL; defesa afirma que não houve consentimento

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro esclarecesse se ele autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido por inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25). Em resposta apresentada nesta quarta-feira (29), os advogados informaram que Bolsonaro não autorizou a utilização do material.
O pedido de esclarecimentos foi feito no âmbito da execução penal do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar humanitária e está submetido a medidas cautelares impostas pelo STF. Entre as restrições estabelecidas pela Corte está a proibição de participação em manifestações de caráter político-eleitoral, direta ou indiretamente.
RESPOSTA AO STF
Na petição encaminhada ao Supremo, a defesa afirmou que Jair Bolsonaro não autorizou o uso de sua imagem e de sua voz para a produção do vídeo criado por inteligência artificial. Os advogados sustentam ainda que as restrições de visitas impediram qualquer contato que possibilitasse eventual autorização para a elaboração do conteúdo apresentado durante a convenção partidária.
O documento também argumenta que, desde o período em que Bolsonaro ocupava a Presidência da República, seus filhos utilizam regularmente sua imagem pública em atividades político-partidárias, reproduzindo discursos, fotografias, entrevistas e outros registros públicos. A defesa afirma que essa prática sempre ocorreu sem oposição do ex-presidente.
VÍDEO EM ANÁLISE
O vídeo exibido durante a convenção do PL apresentava uma reprodução digital de Jair Bolsonaro manifestando apoio à candidatura presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. O episódio motivou o pedido de esclarecimentos do ministro Alexandre de Moraes para verificar se houve autorização do ex-presidente para a utilização da tecnologia de inteligência artificial.
PRÓXIMOS PASSOS
Com a manifestação da defesa protocolada, caberá ao ministro Alexandre de Moraes analisar os argumentos apresentados e decidir se serão necessárias novas diligências ou outras providências no processo. O caso também poderá ser avaliado sob a legislação eleitoral, que estabelece regras específicas para o uso de conteúdos produzidos por inteligência artificial durante campanhas.
O episódio amplia o debate sobre os limites do uso de tecnologias de inteligência artificial em campanhas políticas e sobre a necessidade de observância das decisões judiciais e das normas eleitorais. Até o momento, não houve decisão do STF sobre eventual responsabilização relacionada ao vídeo exibido durante a convenção.
Foto: Reprodução
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